A história do príncipe

“Os olhos verdes encontraram os negros, mas em um segundo alguma coisa no fundo dos olhos de Snape pareceu sumir, deixando-os fixos, inexpressivos e vazios. A mão que segurava Harry bate no chão e Snape não se mexeu mais”, HP7, 32, 511.

 Assim como para Harry, o que nos restou foram as memórias. Durante 15 anos acumulamos diversas sensações ao ver Alan Rickman em cena, interpretando vilões, robôs, lagartas, lordes, e diversos outros que nos cativam pela forma verdadeira como Alan dava vida a todos os seus personagens.
Nascido em 21 de fevereiro de 1966, em Hammersmith, no centro urbano londrino, Alan sofreu aos 8 anos com a morte do pai, que deixou a mãe e outros dois irmãos. Formou-se em Design pela Royal College of Art, e trabalhou em uma empresa criado juntamente com alguns amigos até os 25 anos, quando decidiu ser ator. Admitido na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), Alan começou a trabalhar como assistente de guarda-roupa no teatro para atores para grandes atores a fim de suportar os custos. Durante sua permanência na RADA, de 1972 à 1974, venceu vários prêmios , incluindo o Emile Littler Prize, o Forbes Robertson Prize e a Bancroft Golden Medal (prémio atribuído ao melhor aluno de cada ano).
No teatro britânico, integrou o corpo da Royal Shakespeare Company (RSC), sendo seu trabalho de maior prestígio a peça “Les Liaisons Dangereuses”, que lhe rendeu uma indicação ao Tony Awards, o Oscar do teatro norte-americano, após sua temporada na Broadway em 1987.
No cinema estrelou em filmes como “Duro de Matar” onde interpretava o vilão Hans Gruber, “Razão e Sensibilidade” como Coronel Brandon, roteirizado por Emma Thompson e dirigido por Ang Lee, “Simplesmente Amor” como Harry, repetindo a parceria com Thompson, “O Guia do Mochileiro das Galáxias” dublando Marvin, e nos oito filmes de “Harry Potter”, onde deu vida a um dos personagens mais emblemáticos da série, Severo Snape. Quando perguntando o porquê de interpretar vilões, Alan respondeu que não interpreta vilões, apenas pessoas “muito interessantes”.
Alan foi premiado no Golden Globe Awards para Melhor Ator (minissérie ou filme) em televisão, por “Rasputin” (1996), no BAFTA para Melhor Ator Coadjuvante por “Robin Hood - O príncipe dos ladrões” (1991), e chegou a ser pré-indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (2012).
Alan Rickman nos deixou como presente a lembrança do grande ser humano que ele foi durante esses 69 anos. Além de um grande ator, foi benfeitor, até o momento final da sua vida, da instituição “Saving Faces” e presidente honorário da “International Performers’ Aid Trust”, instituição de caridade que alivia a pobreza em alguns dos locais mais precários do mundo.
Uma forma justa de terminar essa homenagem é deixar uma das frases mais emblemáticas ditas por Alan Rickman na pele de Severo Snape, a frase que apresentou a muitos de nós um personagem e um ator que nunca serão esquecidos, “Who possess, the predisposition... I can teach you how to bewitch the mind and ensnare the senses. I can tell you how to bottle fame, brew glory, and even put a stopper in death”.
Obrigado, velho amigo, descanse em paz!
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