Arquivo TP: O que Harry Potter significou para cada um de nós?


Harry Potter significou, no geral, a transição da infância para a adolescência. Grande parte dos seus fãs literalmente cresceu com ele, a outra parte, dos fãs crescidos, leram e se lembraram de uma infância não tão distante, de uma adolescência ainda prematura. No primeiro livro/filme, vemos um Harry órfão, maltratado, com vestes surradas de segunda mão. Era aquele irmão mais novo que queríamos adotar e tirar a todo custo das garras dos terríveis Dursleys. Mas ele foi crescendo e se tornou o mais perfeito e singelo símbolo de herói já visto.

Magro, raquítico, cabelos teimosamente desarrumados, óculos fora de moda... Tudo isso combinando com um sorriso de valor incalculável. Um sorriso de um garoto que acreditou, acreditou que nada era por acaso, que as coisas que aconteciam com ele não eram tão normais quanto seus tios lhe faziam crer. Ele, que mesmo sem pais, sem bons exemplos a seguir, já com cicatrizes de batalha, enfrentou o mal com as mãos nuas em seu primeiro desafio. Quem não se lembra do professor Quirrel e seu assustador turbante? E como ele foi derrotado, vocês podem me dizer? Ah sim, graças ao amor.

O amor que é uma marca que não pode ser vista, apenas sentida. E foi com esse amor que Harry seguiu em frente, derrotou basiliscos, horcruxes, mentiras e difamações. Com esse amor ele acreditou que um recém fugitivo e acusado de matar seus pais poderia sim ser um bom e honesto padrinho. Atravessou labirintos, nadou e salvou seus amigos, correu sem rumo através de profecias e foi enganado por alucinações. Chorou com a morte, reverenciou a vida. Viu testrálios, dementadores e bichos-papões. Deu seu primeiro beijo. Se apaixonou, dançou no baile de inverno. Salvou o pai de seu melhor amigo da morte certa. Viu o seu mentor cair da torre de astronomia. E em meio a tantas tristezas ele se manteve firme, seguiu seu destino e derrotou seu pior inimigo.

Mas o que fez com que amássemos tanto essa saga? A naturalidade com que JKRowling descreveu tamanhas aventuras, eu diria. O amor, a paixão que pode ser sentida em cada linha. A descrição exata de cada personagem. A personalidade nunca comum, a aparência nada estereotipada. Tão sutil que nos fez duvidar se seria apenas ficção. Nos fez acreditar que um gato pode não ser apenas um gato. Que a tempestade pode ser prenúncio de fuga em massa de Azkaban. Que as corujas um dia vão entrar em nossa casa e deixar cartas cuidadosamente endereçadas. E principalmente, nos fez acreditar na magia. Na magia simples das coisas, na magia complexa de um Wingardium Leviosa. Afinal quem nunca praticou o 'Gira e sacode', 'Leviosa e não leviosá' na esperança de que as coisas saíssem levitando por aí? É, é isso que nos une, é isso que une todos os fãs de HP. Não a idade, não o credo, não o gênero. O que nos une é a imaginação. O poder de discernir. Tanto é que se pegarmos dois fãs leitores assíduos, ambos terão opiniões diferentes sobre determinado assunto. Querem exemplos? Hm, ok. Lá vai: Você, fã de HP, concorda que os bruxos são ateus ou acha que eles podem ter até religião? Você acha mesmo que o Sirius morreu ou simplesmente caiu dentro daquele véu e está a espera de alguém libertá-lo? E quanto a Dumbledore, o Grindewald realmente foi seu namorado? Hermione ficaria melhor com Harry do que com Rony? Ein, ein? São tantas indagações! Tantas respostas plausíveis, tanta imaginação a solta. E cabe a você, fã, fazer com que essa imaginação nunca morra. Que isso tudo que aprendemos, vivenciamos e adoramos esteja presente nas próximas gerações. Que as dúvidas continue, que as fanfics fiquem cada vez melhores e que um dia possamos ir ao "Mundo Mágico de Harry Potter" e na saída dizer: "Eu não estou indo pra casa, não mesmo."

Texto por Heloísa Macedo.
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