Ler a vida num vagão de trem

          

       A história começou num vagão de trem, enquanto Joanne Kathleen Rowling viajava de Manchester para Londres. Através das palavras, a plataforma 9 e ¾  se concretizou no mundo mágico de Harry Potter, sendo tomada a, cada 1º de setembro, por alunos e alunas que aguardam para embarcar rumo à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Para mim, viver é como embarcar num trem sem saber onde ele nos levará nem quanto tempo demorará até o destino. Embarcamos às escuras, mas quase sempre podemos escolher com quem dividimos nosso vagão. A bagagem vem com alguns espaços ocupados por aquilo que herdamos da nossa família e, pouco a pouco, vamos a completando. Alguns carregam malas grandes e pesadas, sem se dar conta da quantidade de apegos desnecessários. Outros preferem mantê-las com maiores espaços vazios a fim de transportar apenas o essencial.
     Durante o tempo que passamos viajando, experienciamos momentos bons e ruins, mas ao aceitarmos os imprevistos podemos nos deliciar com as guloseimas da vida. Tanto com os “feijõezinhos de todos os sabores” e suas surpresas nem tão saborosas, quanto com os deliciosos sapos de chocolate aos quais precisamos estar atentos para que não nos escapem. Afinal, é possível ver beleza em cada detalhe se estivermos dispostos a ajeitar nossas lentes, limpar nossos óculos.
       O mistério circunda o fato de não sabermos o momento de desembarque, o que torna nosso tempo mais valioso e interessante. Portanto, busquemos nos divertir nos solavancos do percurso, nos deleitar nas histórias vivenciadas, ser curiosos em cada descoberta, percorrer o nosso trajeto da melhor maneira possível. E quando nos perguntarem em qual ponto iremos desembarcar, diremos, com um sorriso nos lábios, que queremos descer na última parada. 
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