Harry Potter é coisa de criança



Quando eu era criança, não gostava de Harry Potter. Infelizmente nosso amor não foi à primeira vista, durante alguns anos após ter ido à estreia de A Pedra Filosofal, ignorei o bruxinho mais famoso de todo o mundo.

Não queria saber dele. Eu entendia que era uma história ficcional de um menino que descobria de repente que ia para Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e que fazia amizade com um garoto ruivo e uma menina super inteligente para sua idade.

Sabia quem era J.K. Rowling e também Lord Voldemort. Mesmo assim, insistia em gritar aos quatro ventos: Esses filmes são muito longos, eu não consigo assistir sem ficar com sono!

Tentei, várias e várias vezes. Foi quase o mesmo ritual que precisei passar até me apaixonar por comida japonesa. Lembro que alguns amigos gostavam um pouco de Harry Potter e meus primos também.

Apesar disso, foi só quando eu devia ter uns 13 anos que Harry me conquistou. Foi quando consegui assistir os cinco primeiros filmes já lançados e ler os livros pela primeira vez que me rendi e tive de admitir para quem até então só me via reclamar: "É, Harry Potter é muito bom". 

Lembro que a primeira vez que li os livros, levei em consideração a parte mais divertida da história: Harry era um bruxo e eu também gostaria de ser uma. Ninguém quer ser trouxa né. Não me atentei a parte profunda da história e tão-pouco fiz análises sobre mensagens subliminares que pudessem conter naqueles livros. 

Fui entender, bem mais tarde, que aquilo era bem maior do que eu imaginava. Percebi, depois de inúmeras releituras, que a história ia além da magia e era capaz de me completar de uma forma incrível. 

Harry Potter insistiu tanto, que me fez gostar dele. Não só gostar. Me fez amá-lo. Quando me sentei na poltrona para assistir ao último filme, sentia que uma parte de mim ia lentamente me deixando. 

No começo, pensei que seria como qualquer outra coisa que a gente gosta quando é mais novo. Simplesmente deixaria de gostar e continuaria vivendo. Foi o que ouvi quando fiz minha primeira tatuagem, das relíquias da morte.

É o que ouço ainda hoje, quando alguém ri e diz "Mas isso não é coisa de criança"? A resposta prefiro guardar comigo. 

A verdade é que Harry Potter é sim coisa de criança, como também é de adolescente, adulto e idoso. E eu quero fazer parte de todas essas gerações. 
8 Responses

  1. Unknown Says:

    Também tenho uma tatuagem de HP, mas a minha é de "expecto patronum". Tive depressão e durante o tratamento resolvi fazer essa tatuagem pra que eu pudesse lembrar a mim mesma dos meus momentos mais felizes, e assim conjurar o patrono contra meus dementadores, que seria a própria depressão. Me ajudou muito, aliás.
    Muito bom o texto, Gabi!
    - Carol Ribeiro



  2. Lindo texto. Amo esse universo e o quanto me emociona. Amizades... a história não acabou e nunca vai acabar.


  3. Você e essa capacidade de colocar nas palavras o que ta no coração. Só admiração!


  4. Talita Ramos Says:

    Também tenho uma tatto, a minha é o óculos e a cicatriz. Simples, mas de todas as tatuagens que tenho essa é a que mais amo e me orgulho.


  5. Talita Ramos Says:

    Me vejo daqui a 60 anos sentada em minha cadeira de balanço, na varanda, lendo e relendo os mesmos livros de sempre e me encantando como cada vez que acontece quando leio HP.


  6. @line Says:

    Que lindo! Amei!!! <3
    Eu conheci Harry Potter um pouquinho mais tarde, já com 19 anos... Mesmo assim li e reli todos os livros e até hoje nunca li uma história melhor que essa <3